7 biografias de cantores brasileiros que todo mundo ama

Publicado por

Loucos, talentosíssimos, viscerais e humanos. Essas biografias contam as histórias dos bastidores da vida de cantores amados (e, por vezes, odiados) pelo público

Aquele friozinho do outono está começando a bater na porta. A vontade de se enroscar no edredom, tomar um chocolate quente e ler um livro de boas está vindo à tona todo fim de tarde. Então não se reprima porque temos dicas imperdíveis para quem é amante da leitura de biografia nacional.

São 7 biografias dos seus – ou dos seus pais – ídolos que valem a pena. Às vezes nem tanto pela leveza do escritor, mas sim pela vida fugaz e arrebatadora do artista. Esses são livros para guardar na cabeceira – depois de ler tudinho, é claro. Como cantarolou Cazuza, pena que “os meus heróis morreram de overdose” – ou quase isso.

RITA LEE – UMA AUTOBIOGRAFIA

lista-biografias-rita-lee-lado-bA vovó do rock não para! Quando a gente pensa que ela deu um descanso eterno, lá vem a danada fazendo a gente gastar os nossos tostões – que já foram embora nas cervejinhas, nas baladas, nas “brusinhas”, etc. De uma maneira sarcástica, Rita conta sobre sua infância, travessuras, drogas e rock n’ roll. Sem papas na língua, ela bota para jogo o estupro que sofreu ainda criança e todas as paparicações sem fim que recebeu da mãe Chesa depois disso. Além de cantora, feminista, roqueira, tropicalista e compositora, ela se saiu uma boa de uma escritora.

  • Trecho: “Se meu pai ficasse sabendo, provavelmente iria atrás do sujeito para matá-lo e não seria bom para ninguém o chefe da família ir pra cadeia. Portanto, as mulheres seriam as únicas guardiãs do meu ‘tesourinho’ arrombado”, conta Rita Lee sobre o estupro.
  • Onde comprar: Saraiva

TIM MAIA – VALE TUDO

lista-biografias-tim-maia-lado-bO jornalista, produtor musical, compositor e escritor Nelson Motta se baseou no exercício preferido do seu amigo Tim Maia para dividir os capítulos desta biografia: levantamento de braço – para comer, é claro. O peso foi destacado a cada virada da narrativa e vê-se claramente os baixos e altos do cantor influindo na balança. Grosso, ignorante e talentoso pra caramba, Tim mostrou ao bocó do Roberto Carlos que chegaria ao topo. E não só chegou às paradas de sucesso com os seus hits-melosos-pós-chifre como também fez o soul e funk brasileiro (que não é o carioca) se sobressaírem no cenário internacional. Um viva ao racional mais louco da nossa música!

  • Trecho: “Minha filha ganhou um gatinho e contei a Tim que ela ia dar o seu nome ao bicho. Ele adorou: ‘já sei, porque é preto, gordo e cafajeste!’ O gato era cinzento, magrinho e carinhoso, e só nos deu amor e alegria”, revela Nelson
  • Onde comprar: Saraiva

CAZUZA – SÓ AS MÃES SÃO FELIZES

lista-biografias-cazuza-lado-bSe você acabou de terminar um namoro e está precisando desafogar as mágoas, achou o livro certo, gata (o). Mamãe Lucinha Araújo gosta de fazer a gente chorar. Como se não bastasse a forma como Cazuza morreu – triste o suficiente –, Lucinha ainda é co-autora da biografia do filho – a jornalista Regina Echeverria passou para o papel as histórias narradas por ela. Nem precisa dizer que chorar litros é natural durante as passagens em que ele dá patada na mãe, quando descobre que tem AIDS e já nos últimos dias fazendo a mãe rir com aquele humor negro que sacaneia qualquer mãe que ama tanto quanto Lucinha. Ao fechar o livro, vai te dar uma vontade enorme de abraçar sua mãe e dizer que a ama. Normal. Nós não contamos, mas também fizemos.

  • Trecho: “ Anos depois da morte de Cazuza, muitas delas estavam vivas – que ironia – por causa dele! Estranho esse sentimento. Era impossível sufocar essa indignação quase óbvia: foi preciso que ele morresse para que essas crianças vivessem?”, indaga Lucinha ao comentar sobre a Sociedade Viva Cazuza, criada por ela para dar assistência às crianças portadoras do vírus da AIDS.
  • Onde comprar: Saraiva

CÁSSIA ELLER – APENAS UMA GAROTINHA

lista-biografias-cassia-eller-lado-bTodo mundo já está cansado de saber que Cássia Eller era outra mulher em cima do palco. Aquele jeito destemido que apresentou no Rock in Rio ao mostrar os seios, num dos momentos mais icônicos da cena musical brasileira, abrandava consideravelmente nos bastidores da sua vida. A primeira namorada, a descoberta da sexualidade, o início da carreira nos barzinhos de Brasília até desembocar em solos cariocas e criar uma família ao lado da sua eterna companheira Maria Eugênia são pontos destacados pelos autores. A única parte mais reservada – a pedido da família – foi a vida do filho, que agora também se tornou músico e atende por Chico Chico.

  • Trecho: “A produtora ficou semanas tentando marcar hora com a cantora, mas Cássia sempre a driblava. Pura timidez. Nem sequer sabia o que Deborah iria propor. Não se considerava uma artista merecedora de todo aquele assédio. (…) Foi assim durante a vida toda, mesmo depois de famosa.”
  • Onde comprar: Estante Virtual

AS FRENÉTICAS – TENHO UMA LOUCA DENTRO DE MIM

lista-biografias-freneticas-lado-bJovens, precisando de uma graninha e acabadas de sair do movimento hippie. O sexteto organizado e comandado por Nelson Motta (sim, ele de novo) liderou as nights cariocas do fim dos anos 70 com hits da Era Disco – e sendo garçonetes-divas-danadas-e-trabalhadoras da boate Frenetic Dancin Days, também do Nelsin. Sandra Pêra – a mais despudorada e a miga que conseguiu o bico de garçonete/dançarina/cantora com Nelson porque ele namorava sua irmã e atriz Marília Pêra (saudades, diva!) – tem a língua maior do que a boca e não teve problema nenhum em revelar alguns segredinhos, como o fato de ter tido um caso com homem casado. Ela conta sobre a época boa de seis jovens que viram o sucesso da área VIP do camarote com direito a figurinos babados, muitos homens, discussões, cumplicidade e o famoso “tá comigo tá com Deus, miga”. Se eu fosse você, também entrava nessa festa.

  • Trecho: “Acho que o sucesso deixa todos mais atraentes, bonitos, sedutores. Ou talvez o sucesso simplesmente seja a sedução. O certo é que viramos uma espécie de loucura. Parecia que era só estalar os dedos, e qualquer um que desejássemos estaria aos nossos pés”, tagarela Sandra sobre os fãs/namorados.
  • Onde comprar: Saraiva

ELIS REGINA – FURACÃO ELIS

lista-biografias-elis-regina-lado-bPrimeiramente, a autora Regina Echeverria é foda!

Segundamente, Elis foi “babado, confusão e gritaria” do início ao fim. Uma mulher intensa, expressiva, explosiva, sensível, conhecedora da sua força… Daquelas pessoas que não têm medo de se jogar de cabeça em tudo o que acreditam (e amam).

Terceiramente, orgulho, sis*! Aposto que se estivesse viva seria daquelas feministas que correm atrás do seu espaço – como foi até o fim. #girlpower

  • Trecho: “Elis era uma grande ciclotímica, tinha uma arritmia de comportamento sem maiores explicações. Num momento estava puta, noutro rindo, noutro chorando”, revela Bôscoli, seu produtor e marido (durante um certo tempo. Ou melhor, durante tempo suficiente)
  • Onde comprar: Estante Virtual

MAYSA – SÓ NUMA MULTIDÃO DE AMORES

“Meu mundo caiu”. Se você não leu essa frase com a dramaticidade que Maysa emanava toda vez que levantava da cama – às vezes nem precisava tanto –, então nem se dê ao trabalho de ler essa obra minuciosa de Lira Neto. É tão visceral que o autor parece ser um espectador da própria tragédia que culminou com a morte de uma das maiores cantoras do Brasil. Os frequentes baixos, o início de carreira, o pouco contato com o filho Jayme Monjardim, os homens que teve e os “tiro, porrada e bomba” que teve com Elis para ficar com o produtor Ronaldo Bôscoli – o que nada adiantou porque, como confirma a história, Elis não só deu uns “pega” no produtor-bonitão-grisalho-e-seduzente como também teve um filho com ele – são narrados com a delicadeza de quem acompanhou e vivenciou os momentos mais marcantes desse – também – furacão chamado Maysa.

  • Trecho: “Maysa logo o apelidou de ‘o rei do charme’. Foi aquele jeitão meio calhorda, o artifício de segurar o cigarro na ponta dos dedos como um arremedo de Frank Sinatra, que a encantou logo de cara. Boa-pinta e bom de copo, Ronaldo tinha trinta anos quando se aproximou de Maysa. Ela, apenas 24. (…) Havia um empecilho adicional: Bôscoli era noivo da tímida e meiga Nara Leão.”
  • Onde comprar: Estante Virtual

 

*Sis: encurtamento da palavra inglesa “sister”, que significa “irmã” em português

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s