Uma nova e alarmante evasão escolar

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Realidade afeta também escolas estaduais de nosso município. Confira os dados na matéria e entenda alguns dos vários motivos dessa triste realidade

Início do ano letivo, salas cheias, alunos supostamente interessados em estudar. Aí vem uma falta eventual, logo depois um feriado prolongado e, de repente, mais uma carteira vazia na sala de aula. O professor faz o que pode para tentar estimular os alunos a continuarem os estudos. Em sua grande maioria, são profissionais que amam o que fazem e dedicam integralmente sua atenção para passar todo conhecimento aos alunos. Infelizmente, a evasão escolar é reflexo de um sistema educacional falho.

Em uma pesquisa apontada recentemente pela IstoÉ, 52% dos brasileiros entre 19 e 25 anos deixaram de estudar. Apenas 43% da população com 25 anos têm o ensino médio completo. E 1 em cada 4 brasileiro entre 15 e 17 anos abandonam os estudos anualmente. Uma realidade preocupante em um sistema educacional que desestimula os alunos.

Evasão é consequência de uma péssima política pública

São vários os motivos que podem levar à evasão escolar. Seria necessário fazer uma análise profunda sobre os diversos fatores que levam a ocorrência do abandono da sala de aula. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, segundo um estudo realizado pela FGV-RJ, 40% dos jovens entre 15 e 17 anos deixam de estudar simplesmente porque acham a escola desinteressante.

Conversamos com o professor de História, Alexandre Costa Leite. Ele reconhece que de fato esse também é um motivo. Mas enfatiza que o desinteresse causado nos alunos é consequência de um conjunto de fatores que levam à evasão. “Não existe um motivo, são vários. Esses motivos no conjunto é que ocasionam a elevada evasão escolar.”

Tentando compreender esses motivos

Falta de estrutura familiar 

A educação é fundamental para que a criança e o adolescente obtenha seu desenvolvimento completo. Esse direito deve ser respeitado, principalmente pela família. Mas ao longo do tempo, com a demanda de novas exigências da sociedade, os pais vêm deixando de participar ativamente da vida escolar do filho.  A estrutura familiar tem grande influência na permanência de um aluno na escola e por isso é necessário estar ajustada, é o que ressalta o professor. “Em famílias desajustadas dificilmente os filhos permanecem na escola.”

 Pobreza

Vivemos em um país extremamente pobre, que marginaliza e não dá o devido valor à educação. Muitos jovens começam a trabalhar cedo. Ronaldo Guedes Viana,  professor de Língua Portuguesa,  destaca que “muitos jovens que utilizam o sistema educacional público precisam trabalhar para se manterem e acabam sendo obrigados a largar a escola para complementar a renda familiar.”

Acessibilidade

A dificuldade de acessibilidade é outro fator importante. “Transporte público precário, demorado, escolas distantes de onde os alunos deveriam estar. Isso acaba desestimulando os estudantes”, ressalta o Professor Alexandre. Outro ponto chave é que muitos jovens que apresentam necessidades especiais, problemas auditivos e visuais, deparam-se com escolas despreparadas. Sem mobilidade e adaptações para atender essas demandas é natural que muitos  desses alunos abandonem as escolas.

Drogas

A maioria desses abandonos ocorrem  no ensino médio, nessa fase é quando começam os conflitos. O jovem começa ter um suposto senso de dependência. Como consequência, a marginalização, a falta de conhecimento e a própria curiosidade levam esses jovens a ingressar no mundo das drogas.  Professor Alexandre ressalta que, “essa atração exercida pelas drogas, pelas atividades ilegais acabam afastando esses alunos da escola.”

Como conter essa evasão?

De fato, não há medidas imediatas para solucionar esses problemas. Talvez medidas de longo prazo possam ter uma eficácia maior. Uma solução possível seria “aumentar a renda da população brasileira. Se nós tivéssemos um padrão de renda melhor, nós teríamos um considerável número de estudantes nas escolas.” enfatiza o historiador.

A falta de verba pública é outro fator que dificulta a redução da evasão escolar. Sem verba ninguém trabalha, nada funciona.  Professor Ronaldo, lamenta a falta de recursos e o descaso do governo com o investimento na educação pública. “O consequente investimento na educação iria com certeza reduzir não somente a questão da evasão escolar, mas também grande parte dos problemas sociais presentes nesse país.” Destaca o professor.

Como é a realidade de nosso município

Entramos em contato com superintendência de Carangola para obter dados a respeito da evasão entre o final de 2017 e início de 2018*. E confirmamos que de fato há um aumento mais acentuado no turno da noite. Foram analisadas duas escolas do Estado. Conforme os dados que foram passados. Nas turmas de ensino médio houve uma evasão de aproximadamente 30% dos alunos do turno da noite. Um número que condiz com a média nacional. A crescente é ainda maior quando analisamos o Programa Educação Jovens e Adultos (EJA) médio noturno. Nessa modalidade aproximadamente 65% dos estudantes evadem as escolas. Vale a pena ressaltar que esses números se devem a vários fatores, inclusive os já anteriormente citados nessa matéria. Uma triste realidade.

Mas por que a evasão é maior no turno noturno?

Como podemos analisar, o número de evasão é maior  ensino médio noturno. Professor Alexandre diz entender, “pois a maior parte dos alunos do noturno já estão inseridos no mercado de trabalho, são pessoas de idade mais avançadas, e isso dificulta sua permanência na escola.”

O governo tem tentado manter esses jovens na escola por meio de medidas paliativas. Conversamos com Tânia Maria Almeida Mazzocco, Analista educacional. Ela nos explicou que uma resolução de 13 de janeiro de 2016 foi feita para tentar diminuir essa a evasão no turno da noite.

A resolução nº 2842, diz no artigo 2 inciso I que “a carga horária diária do Ensino Médio Noturno será de 4 (quatro) módulos de 45(quarenta e cinco minutos).”  Anteriormente eram 5 módulos de 50 minutos. Ela explica: “ essa preocupação foi justamente para tentar diminuir a evasão escolar no ensino noturno, onde o número de abandono é maior. Muito alunos trabalham e não conseguem chegar a tempo na escola”

*Foram feitas médias proporcionais baseadas no número de alunos que terminaram o ano letivo de 2017 e a quantidade de aluno que ingressaram  no ano de 2018.

 

 

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