Mães aos 14: as lutas e as glórias das mães adolescentes

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As mães desta matéria, hoje, colhem os bons frutos que plantaram quando ainda eram adolescentes. E ainda tem quem diga que somos o sexo frágil, hein!?

Querido diário,

Hoje é o dia que ela vai nascer. Ainda estou meio tensa com tudo isso. A gravidez é de alto risco! Ela já cresceu tanto dentro de mim… Logo eu, uma das menores meninas da 7ª série. Está uma correria por aqui. Minha mãe está do meu lado o tempo todo, perguntando se preciso de ajuda, me dando apoio… Ainda me sinto apenas uma menina, mas já tenho tanto amor para dar. Ah! Decidimos o nome. Ela vai se chamar Julia, a minha Juju.

Nathalia Monteiro, 28, engravidou pouco antes de completar 14 anos. De uma menina que começava a descobrir a independência de uma adolescente, ela se tornou uma mulher, pronta para lidar com a aventura que é ser mãe. No início, foi difícil. Mas a mãe dela estava presente para ajudá-la a passar pelos olhares tortos na rua, daqueles que nem sequer sabiam de sua história, mas queriam julgá-la.

“Descobri que estava grávida uma semana antes do meu aniversário de 14 anos. Foi um tremendo susto, um choque para mim. Muitas pessoas ficavam com aquele olhar me recriminando. Não foi somente eu que sofri, mas com toda certeza ambas as famílias sofreram. Sem dúvidas, o maior e melhor apoio foi o da minha mãe. Embora todo o sofrimento que ela também estava ali passando, ela nunca me deixou”, Nathalia

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Infelizmente, ela não foi a única a ser apontada pela mesma sociedade que detesta que faça fofoca sobre o seu teto de vidro. Maria Eloisa Badaró, 26, largou a escola, tinha vergonha da barriga de grávida e praticamente não teve registros fotográficos da gravidez graças à recriminação das pessoas que nada tinham a ver com a vida dela.

“Quando descobri que estava grávida a minha primeira reação foi entrar em pânico pensando: ‘minha família vai me matar’. Logo depois comecei a pensar na cidade. Como é pequena, eu sofri muito porque as pessoas falavam de mim. Na época, parei de ir à escola”, Maria Eloisa

Apontar o dedo, ainda mais para meninas, é muito fácil. Difícil é se colocar no lugar delas e sentir a dor de cada uma. Graças à força que encontraram na família, nada disso as fez pensar em não ter a criança que esperavam dentro de si. Ambas tiveram apoio dentro de casa e mais uma vez mostraram que não existe ser mais divino do que a mãe. “Minha mãe foi uma das primeiras pessoas para quem contei que estava grávida. Ela foi maravilhosa para mim naquele momento”, desabafa Elô.

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AMIGAS PARA SEMPRE

Na adolescência, as amigas sempre têm um lugar especial na nossa vida. Muitas vezes, sabem mais de nós do que nossas mães. É justamente durante um tropeço que elas se tornam essenciais para sairmos ilesas desse turbilhão de emoções. “Minhas amigas me ajudaram muito! Principalmente a Marianna (Tona), que é madrinha da minha filha. Ela ia atrás das comidas para matar meus desejos! Todas me apoiavam muito porque às vezes eu não queria sair, aí elas iam lá para casa ficar comigo. Até hoje elas são muito presentes na vida da Gabriela”, conta Maria Eloisa. Nem só de mão-amiga e dos familiares elas viveram. Os pais tiveram um papel muito importante para o equilíbrio das meninas e a base para criarem um novo serzinho.

O PAI

Era o primeiro namorado. As duas namoravam os pais das crianças quando engravidaram. Depois que as bebês nasceram, os namoros ainda duraram um bom tempo. O melhor que ficou foi a relação de amizade e respeito. “O Rhian (Mendes) me ajudou não só na gravidez e nos primeiros anos da Julia, como apoia em tudo até hoje”, analisa Nathalia, que tem um relacionamento ótimo com a família do ex-namorado. O mesmo acontece com a Elô. “Em relação à Gabriela, o Augusto (Oliveira) é um paizão! Ele me ajuda muito. Desde a gravidez até hoje em dia, eu não tenho nada a reclamar. Ele é um pai superpresente.”

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NÃO, NÃO É UMA BRINCADEIRA DE BONECA

Elas deixaram de lado as festas, as viagens, os estudos e muitas oportunidades que ainda viriam pela frente. Tudo isso por um bem maior: a filha. “Tive que aprender a abrir mão de muitas coisas (escola particular, curso de inglês, sair) porque tinha uma pessoa que dependia de mim. Tive que aprender a trocar fraldas, que é bem diferente de brincar de boneca. Nessa idade, as meninas da escola estavam empenhadas em estudar, estudavam para passar em uma faculdade fora enquanto eu estava amamentando”, relembra Nathalia. Se valeu a pena todos os obstáculos? “Sem dúvidas. Apesar de tudo, ser mãe é a melhor coisa que me aconteceu. Isso me aproximou ainda mais da minha mãe”, revela Nathy.

COLHENDO OS FRUTOS

Foi um susto. Mas passou. Passou e se transformou em amor incondicional. As meninas que tinham acabado de sair da infância no início dos anos 2000, se tornaram mulheres orgulhosas das filhas que criaram uma década depois. “A Gabriela corre atrás do que quer. Não para enquanto não consegue. Tenho muito orgulho de ela ter puxado isso de mim”, fala a mamãe coruja Elô. Graças à filha, a família dela se mantém viva e, melhor, cheia de vontade de viver.

“Gabriela deu sentindo à minha vida, ela deu cor para a minha família. Meu avô ficou doente quando ela tinha um ano e ela dava ânimo para ele. Naquele momento, eu vi que ela veio ao mundo para isso. Quando meu avô faleceu, se não fosse pela Gabi, te falo com toda a certeza que minha vó não estaria mais aqui. Ela vive para ver a Gabriela bem”, Maria Eloisa

Depois de tantos anos e vários obstáculos driblados, agora, a luta delas é de gente grande. “Ser mãe da Julia pra mim é um presente, uma alegria, uma honra e um orgulho. Hoje, cada passo que eu dou, sem dúvidas, penso muito mais nela do que em mim mesma. O meu objetivo de vida é correr atrás para dar um futuro melhor para ela. Me sinto privilegiada demais em ser mãe da Juju! Uma filha maravilhosa, inteligente e com um caráter que ninguém muda. Hoje, não tenho dúvidas de que foi a melhor e a mais compensatória de todas as decisões que já tomei na vida”, complementa Nathalia.

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Fotos: arquivo pessoal das famílias

3 comentários

  1. Super me identifiquei, me vi nas meninas. Quase não tenho registro da barriga de gravida também, por vergonha e medo de todos fui revelar a gravidez ao 5° mês e no 7° JOÃO LUCCA teve que nascer … amei a matéria ate me emocionei. PARABÉNS!!!

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  2. Parabéns às mamães que mesmo diante as dificuldades que se encontravam deram o melhor para as suas filhas, principalmente educação. Essa é a maior prova de ser mãe de verdade. Parabéns aos pais tbem junto das avós corujas!

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