O amor que transcende a barreira do preconceito

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Incentivar a autoestima em suas meninas fizeram delas mulheres mais seguras e com iniciativas para lidar com as situações do cotidiano.

De um lado, a avó de Talita, Solange Baylão, que sempre buscou respeitar e aceitar a orientação sexual de sua neta. No outro, a Dona Maria Aparecida, mãe de Rosemara, jovem  negra, empoderada e que tem orgulho de assumir seu cabelo afro. Duas histórias e um ponto em comum: o estímulo na autoestima de suas meninas.

A orientação não te define

“Todas as pessoas têm o direito de viver a sexualidade sem medo, vergonha, culpa, falsas crenças e outros impedimentos à livre expressão de desejos.” Solange

Com um pensamento bem avançado, Solange não parou em sua época. Foi ela quem criou sua neta, Talita, 25, homossexual e bem resolvida. A jovem se sente, com toda razão, em um lugar privilegiado. Em um dos países onde há um elevado número de homicídios contra a classe LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), a jovem tem orgulho do acolhimento e respeito de sua família.  É fato, que o poder negativo de uma crítica constante atrapalha o desenvolvimento de uma pessoa. Por isso, Solange, sempre buscou entender e respeitar a orientação sexual de sua neta.

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“Eu percebo que minha neta entende meu posicionamento diante a esse assunto, nunca ficaria contra ou deixaria de ter os sentimentos de amor e carinho para com ela, prejudicando o seu desenvolvimento emocional.” Solange

Aos 15 anos, Talita teve seu primeiro relacionamento com uma menina. A avó ficou sabendo do ocorrido e a procurou para uma conversa. A única preocupação de Solange, era que sua neta sofresse represálias de um mundo que ela considera cruel. “Ela me falou sobre as coisas que eu iria enfrentar, que era uma decisão que eu teria de ter certeza antes de me assumir, porque o mundo é muito difícil.”, Talita.

O tempo passou, Talita saiu de Carangola, formou-se e voltou. Agora, com um pensamento mais maduro, a jovem se sente confiante e entende o papel fundamental de sua família, em especial sua avó, para a construção de sua personalidade.

“Não tem como eu me sentir de outra forma, a não ser muito confiante e muito segura que posso ser quem eu sou da forma que eu sou. Sem ter medo do mundo, pois eu tenho amigos que estão ao meu lado e minha família que sempre me apoiou.” Talita

O cabelo que não te define

“Minha autoestima foi lá no chão e voltou, né?!” Foi assim que Rose, 29, sentiu-se ao chegar em casa com seu cabelo alisado. A mãe, Maria, sempre foi uma admiradora do cabelo de sua filha. Ela sempre a incentivou a manter os seus cachos. Quando era mais nova, a mãe lembra que a sua filha já havia passado por discriminação por conta do seu cabelo. “Quando fazia trança no cabelo da Rose, as pessoas apelidavam ela por causa das tranças.” Apesar disso, Maria sempre teve a consciência de que incentivar sua filha a aceitar seus cabelos fizessem com que Rose superasse a barreira do preconceito.

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Não é à toa que, atualmente, Rose tem orgulho de assumir seus cabelos. Ela diz que, no início, parar de alisar o cabelo foi um processo lento de adaptação e que havia deixado de lado os produtos de alisamento em função da opinião da mãe. Atualmente, Rose tem consciência de que, de fato, sua mãe sempre teve razão. “Hoje em dia eu estou extremamente realizada com meu cabelo e nunca mais eu aliso na minha vida.”

Essas duas figuras maternas transcendem a barreira do preconceito. O recado final de cada uma delas ressaltam um único elo: a aceitação.

“Diria que o mais importante nessa vida é o amor e o respeito, nada é por acaso. Esses nossos filhos são nossas responsabilidades, precisamos entendê-los, respeitá-los, aceitá-los e amá-los muito.” Solange

“Não liguem para que os outros falem. O que importa é você se sentir bem do jeito que você é, e da forma que o seu cabelo é. Cuide bem dele e vá ser feliz.” Maria Aparecida

 

Fotos: arquivo pessoal da família

 

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