Sem melindres

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Para ler, refletir e se comover com a crônica de uma mãe corajosa

O cronista é um ser corajoso. Mete-se em comoções coletivas e com o dedo onde não é chamado, revira sentimentos e desperta, muitas vezes, olhares de quem mexeu com quem estava quieto. O clichê é sempre um recurso que me soa frouxo, é registro de concordância com senso comum e sempre fui do lado de quem acredita que não é por ser maioria que se é razão. E cá estou eu novamente pra mexer em vespeiro, pois vim implicar com essa vitimização frequente que permeia um outro ser tido como corajoso: A MÃE.

Desde a infância o verso da canção entoada em festinhas escolares e afins “ser mãe é padecer no paraíso” me causa incômodo. A criança (eu), que cantou muitas e repetidas vezes, desafinava nessa parte. Não conhecia o significado do verbo PADECER, mas aquilo já não soava bem. Mas os anos seguiram e os verbos passaram a ser dominados pelas interpretações de quem já dava sinais de viver da palavra.

Vamos ao dicionário (sim, ao dicionário!). PADECER: sofrer mal físico ou moral; aguentar; suportar. Estava lá – ser mãe é ruim. Há quem prefira dar outras interpretações ao verso, mas é pra isso mesmo que nos serve a palavra. Minha conclusão permanece: o termo mãe sempre aparece associado à dor. Em homenagens, cartõezinhos, lembrancinhas… é um sofrimentozinho aqui, outro ali, pelo filho (sempre). Mãe parece merecer tanto afeto porque sooofre. Ouso dizer que tem até mãe por aí que se aproveita dessa vitimização (agora não há clichê que me salve!).

Não saberia escrever sobre o celebrado Dia das Mães exaltando a dor e muito menos romantizando-a. Essa é de cada um, e não é maior por ser de mãe, como muitas vezes fazemos parecer.

O materno é vivência de AMOR. É forte, é doce, é livre, é infinito, desde que seja escolha e não procriação de fêmea. Em “Só as mães são felizes” Cazuza desnudou o materno num misto de enfrentamento, entendimento e aceitação que jamais poderei dimensionar. Que incômodo delicioso esse livro! Concordo com seu filho, Lucinha, “Amor nunca é demais”. Adoro vê-la conduzindo projetos e vidas e me ensinando a cada dia que daquele verso da canção infantil devo conservar somente o PARAÍSO, e que esta palavra também pode ser interpretada no céu de cada um.

Por Ludimila Beviláqua F. Terra

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