Entrevista exclusiva: Poliana Botelho conta sobre luta no UFC

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Um show de simpatia e de artes marciais. Poliana Botelho marcou presença na Boa Forma e contou detalhes da sua trajetória até chegar no UFC

Simpática, determinada, focada, superfamília, com a felicidade digna de quem acabou de ganhar sua primeira luta no UFC e com a segurança de quem está em seu habitat natural. Poliana Botelho é dona do mais novo recorde de vitória mais rápida do peso palha, no UFC, com 33 segundos de luta. Aos 29 anos, ela é uma das representantes brasileiras no maior evento de MMA do mundo e ainda brinca: “daqui a pouco as crianças vão treinar desde pequenas e vão ganhar o nosso espaço”. Ontem (4), ela marcou presença na Boa Forma, conversou com os alunos da academia, deu dicas pra galera do Muay Thai e bateu um papo que rendeu com a Folha da terra.

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QUAL FOI A SUA INTENÇÃO AO SE MUDAR PARA O RIO, JÁ QUE VOCÊ É DE MURIAÉ?

Já fazia lutas profissionais aqui, mas como Muriaé é uma cidade pequena não tinha arte marcial para a minha área. Wrestling não tinha aqui, jiu-jitsu numa cidade maior é muito mais evoluído… Até por causa das competições. Tem coisas que numa cidade grande tem recursos muito maiores, tem várias coisas bem mais próximas a você. Por exemplo, na academia que malho lá no Rio, os caras têm muitos contatos para me fazer chegar no XFC, que é um evento internacional grande, e até estar hoje no UFC.

QUEM MAIS TE INCENTIVOU A ENTRAR NESSA CARREIRA?

Posso dizer que meus pais sempre me apoiaram. Eles nunca falaram “não vai não, é muito difícil”. Nunca escutei isso deles. Muita gente já me falou isso até porque sou de cidade pequena. Eles sempre estiveram junto comigo. Não podiam ajudar financeiramente, mas o que podiam ajudar, eles ajudavam.

ISSO DE SER DE UMA CIDADE DO INTERIOR FAZ COM QUE AS PESSOAS TE INCENTIVEM OU TEM AQUELE PESO DE ELAS DIZEREM “AH, DESISTE! ISSO NÃO VAI PRA FRENTE”?

No início, eu escutei muito algumas pessoas falando isso, “ah, deixa isso pra lá! É igual futebol, um em um milhão”. Hoje em dia, não. As pessoas acreditam em mim, sou uma pessoa conhecida. Fico muito feliz com isso porque é um trabalho reconhecido. As pessoas querem tirar foto e tudo, me chamam pra tirar foto com o filho delas… É muito bom pra mim essa parte. Agora, as pessoas acreditam em mim e incentivam, falam “ah, vai dar muito certo e tal”.

ENTÃO CIDADE PEQUENA TEM OS DOIS PESOS: NO INÍCIO PODEM TE DIMINUIR, MAS DEPOIS, QUANDO VOCÊ ESTÁ LÁ EM CIMA TODO MUNDO TE APOIA PRA CRESCER MAIS.

(Risos) É, é assim mesmo! (risos)

QUANDO VOCÊ COMEÇOU A TREINAR LUTAS JÁ PENSAVA EM ENCARAR COMO CARREIRA?

Quando entrei, eu me encantei pelo esporte na verdade. Eu venho de vários esportes, já fiz vôlei, me profissionalizei no handball, mas infelizmente não deu nada. Então eu falo que Deus me deu uma segunda oportunidade quando apareceu a luta na minha vida. Eu tenho 29 anos, não sou nova. Com 29 anos, em outros esportes, eu não conseguiria entrar. Como o MMA é um esporte novo, ainda mais o feminino, então tem como eu lutar. A média de idade das lutadoras é essa.

POR QUE TEM ESSA DIFERENÇA DE IDADE ENTRE O MMA E OUTROS ESPORTES?

Na verdade, é porque é um esporte muito recente no mercado, então tem como gente da nossa idade entrar. Agora a gente já começa a ver vídeo de criança pequenininha brincando de ser lutadora. Ou seja, daqui a pouco elas vão estar treinando desde pequena e vamos perder o nosso espaço (risos).

VOCÊ ACABOU DE VOLTAR DO CHILE, ONDE BATEU O RECORDE DE VITÓRIA MAIS RÁPIDA DO PESO PALHA NO UFC. ENTROU NO RINGUE JÁ PENSANDO EM NOCAUTEAR?

Treinei muito pra essa luta. Acho que foi a que mais treinei. Não por causa da oponente, mas acho que era um momento de me entregar total. Estava com a equipe médica toda em cima, a fisioterapeuta, os professores… Todo mundo marcando em cima de mim. Então a gente estava com a tensão virada para essa luta porque acho que tinha que ser uma luta importante. A outra foi a estreia, então foi uma luta boa, mas meio travada. Eu sou uma atleta nocauteadora, mas nocaute é uma coisa que acontece. Você não pensa “ah, vou entrar e nocautear essa garota!”. Não existe isso. É do nada! Quando eu chutei a garota, pá! Aí eu vi. Vejo que a pessoa sentiu e vou pra cima. Mas antes da luta você não sabe se vai nocautear, é algo que vai acontecendo. A gente trabalhou muito pra 15 minutos de luta, pra tentar fazer a melhor luta do mundo, fazer o melhor trabalho dentro daquele octógono. Graças a Deus foi o nocaute mais rápido da categoria. Eu fiquei muito feliz! Acho que foi o resultado de um trabalho bem duro, de todo dia estar ali sofrendo. O resultado de um trabalho bem feito.

VOCÊ ACHA QUE ESSE FOI O MOMENTO MAIS IMPORTANTE DA SUA CARREIRA OU ACREDITA QUE LÁ ATRÁS JÁ TEVE UMA LUTA CRUCIAL?

A gente fala que toda luta é a luta mais importante. Porque se você não passar daquela luta, não tem como lutar aquela lá na frente (risos). Então acho que cada momento é importante pra gente de alguma maneira. A minha luta que ganhei medalha no XFC foi muito importante porque a medalha era do GP, que era necessária para eu ganhar o cinturão. Aí eu pedi o cinturão e a luta do cinturão acho que foi a mais dura que já tive. Foram quatro rounds. A gente ganhou prêmio de melhor luta, melhor tudo. Quase fui nocauteada, quase fui finalizada… Foi um momento muito importante porque fez eu entrar pro UFC assim como a estreia no UFC também tem a sua importância. Não dá para escolher um só.

LÁ FORA, QUANDO VOCÊ ESTAVA CONVERSANDO COM A GALERA, VOCÊ FALOU SOBRE O MODO COMO ENCARAR O OPONENTE SER UM DIVISOR DE ÁGUAS NA HORA DA LUTA. VOCÊ ENTRA NAS LUTAS COM FRIOZINHO NA BARRIGA OU FAZ DE TUDO PARA MANTER O CARÃO E PASSAR SEGURANÇA?

Quando você parte pra dar o primeiro golpe, dá pra ver no olhar, na reação da pessoa se você deve cair pra cima ou se afastar. A gente fala que naquele momento tem que se divertir. A gente trabalha muito pesado. Aquele é o único momento de você mostrar o seu trabalho pro mundo. Você está dentro de uma academia durante semanas, então quando sobe no octógono é o momento de mostrar tudo. Que nem me perguntaram lá fora: “qual seu maior medo?”. Meu medo é de perder ou não conseguir botar meu jogo lá dentro.

AO FALAR COM O PESSOAL DA BOA FORMA VOCÊ TAMBÉM CITOU A QUESTÃO FINANCEIRA, QUE É DIFÍCIL TER RETORNO EM DINHEIRO DOS PATROCINADORES, QUE ACABA SENDO UMA TROCA: ELES TE DÃO MATERIAL E VOCÊ FAZ A PUBLICIDADE DELES. É MUITO DIFÍCIL GANHAR DINHEIRO E VIVER BEM LUTANDO?

Na verdade, o lutador só ganha, em questão do UFC, quando luta. A gente vive de patrocínio. Para viver numa cidade como o Rio de Janeiro, você que viveu lá sabe, gasta muito. Moro no Flamengo, então o que eu pago de aluguel e de comida já é bastante.

E PARA MORAR NUM LUGAR PEQUENO AINDA, NÉ?

Um cubículo! (disse olhando para o tamanho da sala de avaliação da Boa Forma) Um pouco maior do que essa sala (risos). Trabalho praticamente para pagar aluguel e comer. No início, a gente recebe patrocínio para pagar as contas! Fora os treinos que tenho que pagar.

COMO FAZ PARA PAGAR PROFESSOR DISSO, MAIS PROFESSOR DAQUILO, MÉDICO, FISIOTERAPEUTA?

Então… o que sobra dos patrocínios a gente vai juntando para pagar preparador físico, etc. É puxado.

TEM QUE TER UM CURSO DE ADMINISTRAÇÃO TAMBÉM ENTÃO…

(Risos) É tem que ter! Um curso de marketing… Tudo! (Risos)

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