Adoção: uma história de amor sem hora marcada

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Uma história de amor, de luta, de esperança e de muita alegria

São só cinco meses, mas parecem anos. O amor que Samiris Nunes Tavares, 21, sente pela filha não é medido pelo tempo e, sim, pela intensidade que o tem vivido. Desde os dez meses, Arunna, de um ano e três meses, vive com Samiris e o marido Ivens Carlayle, 26. Há alguns meses a pequena já chama Samiris de “mama”, mas infelizmente a burocracia do sistema adotivo ainda não deixou que elas pudessem ser reconhecidas como mãe e filha no papel.

“Já estávamos tentando ter um filho. Quando a Arunna chegou foi um presente pra gente!”, Samiris

O casal já está junto há oito anos e não via a hora de ter um bebê pra chamar de seu. Quando a mãe biológica da Arunna estava grávida dela e afirmou que daria para adoção caso fosse uma menina, a esperança da dupla se renovou. “Quando nasceu a mãe mudou de ideia e não quis dar. Quando a Arunna fez seis meses a mãe dela me ligou e perguntou se eu queria ficar com ela. Falei que ficava! Só que ela desistiu. Aí quando fez dez meses ela me ligou de novo e quis me dar ela”, conta a mamãe de primeira viagem. O telefone ter tocado naquele dia abriu um novo mundo para os dois jovens que desejavam tanto multiplicar o seu amor.

A família sempre apoiou todos os passos da adoção. Samiris desde nova já tinha um instinto maternal que não é qualquer uma que consegue ter. “A Arunna reconhece toda a minha família como dela. Chama minha mãe de vó, minhas irmãs de tias…”, esclarece. Desde então o apego e o amor só crescem entre elas, mesmo a mãe biológica tendo ainda um certo contato com eles. “Ela vai lá em casa às vezes levar a filha mais velha, de três anos, pra brincar com a Arunna”, explica. Embora a Arunna já reconheça a irmã, a jovem que a deu não é vista como mãe pela pequena, que se afastou dela tão novinha.

A BUROCRACIA

“A avó da Arunna não quer assinar os papéis para a adoção. Antes ela dizia que iria assinar, mas agora não quer mais, mesmo ela também não querendo ficar com a neta. Como a mãe biológica tem 17 anos, só podemos adotar quando ela completar a maioridade”, Samiris

A garota menor de idade é prima do Ivens, por isso a advogada acredita que esse parentesco facilite a adoção. Em dezembro, ela completa 18 anos e aí vão poder entrar com o processo, já que a mãe biológica afirmou não querer ficar mais com a filha. Como no fim de 2018 vai ter quase um ao que Arunna está sendo cuidada por Ivens e Samiris, o juiz pode decidir pela legalização desse amor e passar a Arunna para o nome do casal. “Numa situação que a criança está nas mãos de um parente, por exemplo, há uns dois anos, acredito que o juiz vá aprovar a adoção pelos parentes pensando no melhor interesse do bebê”, exemplifica a assistente social Marina Queiroz, 33. Mesmo nesses casos é preciso recorrer à justiça. É ilegal registrar uma criança no seu nome sem ser realmente seu filho biológico. Todo o processo tem que passar pela Vara da Infância e Juventude.

“Se você cuida do seu sobrinho desde que ele nasceu e ele precisa fazer uma cirurgia, será necessário o pai ou a mãe para assinar e liberar a cirurgia. Você pode cuidar dele, mas não é o responsável legal da criança”, Marina

Esses casos são muito comuns em cidade pequena. Como todo mundo conhece todo mundo acaba facilitando uma cirurgia ou o registro na creche, mesmo não tendo autorização dos pais biológicos, que são os que detêm o registro do menor de idade. Mas isso é considerado ilegal! Engana-se quem pensa que todo processo de adoção é uma burocracia sem fim. Marina enfatiza que embora os dados reportados em matérias nacionais sejam alarmantes, o tempo de espera depende sempre do tipo de criança que você procura. “Tem um casal aqui que está na lista aguardando desde que lançamos o cadastro nacional há oito anos. Mas eles querem uma menina, branca, recém-nascida e só pode ser de Minas Gerais. Em compensação, logo que a gente chegou no Fórum, em 2006, fizemos a habilitação de uma pessoa e em pouquíssimo tempo ela adotou. Passou na frente de outras pessoas da lista porque ela queria uma criança maior, de uns dois aninhos”, relembra Marina.

“Uma pessoa que queira uma criança de três anos pode conseguir adotar com dois meses!”, Marina

A assistente social deu relevância ao fato da maioria dos moradores de abrigo ser um perfil bem diferente do que as pessoas costumam procurar. “Normalmente, são crianças negras, grupos de irmãos, muitos têm comprometimento físico, mental ou os dois… Na justiça, já é considerado adoção tardia quando a criança tem mais de três anos”, reforça Marina. Ela ainda friza a importância do apadrinhamento de crianças em abrigos da região. Nesses casos, você pode pegar a criança nos fins de semana e curtir momentos especiais com ela. Vai que a partir dali se descobre um laço indestrutível? Em Carangola temos o Instituto São José (para meninas) e o Casa do Aconchego (para meninos).

AMOR DE MÃE (NOTA DA AUTORA)

Enquanto fazia a entrevista com a Samiris, Arunna andava pra lá e pra cá brincando com as pessoas ao seu redor, falava pelos cotovelos e distribuiu beijinhos e sorrisos para todo mundo na hora de ir embora. Não há dúvidas de que a Samiris é uma mãezona da p***a!

Ainda me lembro da primeira vez que conversei com ela sobre a adoção da filha. O amor que via nas palavras emotivas dela, nos olhos lacrimejando com medo de perder a filha e o carinho que ela passa toda vez que as vejo juntas só me faz ter certeza de que algumas das melhores felicidades das nossas vidas podem vir quando a gente menos espera. É fechar os olhos e acreditar que “tudo que tiver que ser será”.

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