Escritora carangolense Hélen Queiroz lança livro na FLIP e na Casa da Vila

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A carangolense Hélen Queiroz lança livro de poemas na Casa da Vila neste sábado (21)

Hélen Queiroz, 46, é a poesia em pessoa. Ela vibra, se emociona e faz a gente se arrepiar com suas palavras. Bater um papo com ela é se sentir no aconchego do próprio lar com uma velha amiga. Ela é assim… atenciosa, batalhadora e traz muita lucidez dentro da sua loucura. A sua quinta obra será lançada em primeira mão para os seus conterrâneos e grandes amigos no próximo sábado (21), na Casa da Vila, a partir das 19h30. A escritora conversou com a Folha da terra sobre suas poesias, prêmios, carreira e afirmou que os carangolenses estão sempre de braços abertos para ela e seus devaneios poéticos.

COMO FOI O INÍCIO DA SUA CARREIRA COMO PROFESSORA AQUI EM CARANGOLA?

Comecei aos 15 anos dando aula na área rural, numa escola chamada Pedro Celestino Milagres, no Córrego da Mata, próximo à Varginha. Dos 15 aos 20 anos trabalhei como contratada da prefeitura de Carangola e depois passei num concurso para dar aula na cidade. Paralelo a isso comecei a trabalhar em escola particular por aqui. Com 24 anos eu fundei a Officina do Saber, em 1996. Durante sete anos eu fui dona da Officina do Saber e por 17 anos eu fui professora em Carangola. Em 2004, eu fui pro Rio de Janeiro, onde também sou professora, então tenho quase 32 anos nessa área.

A OFFICINA DO SABER FOI CRIADA PENSANDO EM APLICAR UM MÉTODO DE ENSINO LÚDICO, DIFERENTE DO QUE EXISTIA POR AQUI. POR QUE VOCÊ DECIDIU ABRIR MÃO DELA?

Quando eu fundei a escola eu queria vivenciar o ambiente escolar, queria ver as crianças crescendo numa escola em que a arte fosse regente. Por isso o slogan da Officina é até hoje “a arte da educação”. Todos os projetos eram voltados para as artes, além de contemplar o currículo nacional. Tínhamos artes plásticas, música, poesia… Nossos alunos vivenciavam esse espaço por meio da educação. Depois minha irmã e mais duas colegas se tornaram minhas sócias. Levamos esse projeto juntas durante sete anos. Cada uma desistiu de levar adiante por um motivo. No meu caso, eu decidi vender a escola porque pretendia morar numa outra cidade, onde eu pudesse fazer mestrado e doutorado. A passagem da Officina do Saber para a professora Tutti, que já trabalhava lá conosco, foi uma excelente escolha!

E O SEU INÍCIO COMO ESCRITORA, QUANDO FOI?

Já na adolescência eu escrevia contos e minha amiga – e hoje comadre – Ludimila Bevilaqua, dona do Contexto, fazia poemas. A gente reunia nossos textos e mandava pro SESI porque eles promoviam concursos de contos e poemas. Durante alguns anos nós fomos premiadas. Minha primeira premiação foi com conto e da Ludi com poema. Eu dizia que não sabia escrever em versos, só sabia em prosas. Só que um dia eu tinha escrito alguma coisa e a Ludi falou assim: “isso também é poesia”. Eu comecei a exercitar a escrita em versos desde então. Comecei a escrever em prosa com 15 anos. Com 20 anos eu iniciei nos poemas.

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VOCÊ ESTÁ LANÇANDO UM NOVO LIVRO DE POEMAS E CONTOS, SILÊNCIO LÂMINA. JÁ PUBLICOU QUANTOS NO TOTAL?

Silêncio Lâmina é meu quinto livro literário, mas tenho publicações acadêmicas também. O primeiro foi A Carne das Palavras com poemas e contos, que lancei quando ainda morava aqui. O segundo livro, Poesia de Arame, era só de poemas e chegou ao público em 2003, no último ano que morei em Carangola. O terceiro, Vício de Tatuar Papiro, lancei em 2008 e só tinha poemas também. O Bordado de Pirilampos foi em 2016. É feito de contos infantis. Ele veio a partir de um prêmio de literatura que ganhei na FLIP.

VOCÊ JÁ GANHOU PRÊMIO NA FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY (FLIP). ESTE ANO IRÁ VOLTAR LÁ COM SILÊNCIO LÂMINA. QUAL É A SUA PARTICIPAÇÃO EM 2018 LÁ?

Existe um prêmio chamado Off Flip de Literatura, que é um prêmio de dimensão internacional, ele é aberto para várias partes do mundo. Em 2009, enviei um poema que foi classificado. Fiquei entre os primeiros colocados, foi uma alegria imensa! Eu já recebi muitos prêmios literários em outros estados do Brasil. O da FLIP foi o primeiro de abrangência internacional. Foi sem dúvida um marco pra mim. Recebi o prêmio de um integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele reverenciou os premiados e disse que era muito importante, era um prêmio que apontava novos talentos. Fiquei muito feliz! No ano seguinte, tive um conto classificado nesse mesmo prêmio. Em 2013, tive um poema premiado de novo no Off Flip de Literatura e em 2014 fui premiada com um conto infantil, que era uma categoria nova naquele ano. O conto se tornou um livro publicado pelo selo no Off Flip de Literatura, aí agora consegui que esse selo publicasse Silêncio Lâmina. Vou à FLIP na próxima semana porque vai ter lançamento de três autores e eu sou uma dessas pessoas.

OS OUTROS LIVROS FORAM PUBLICADOS DE FORMA INDEPENDENTE?

Sim, eu imprimia aqui, pela Minasgraf com muito amor. Sempre fizeram tudo com muito cuidado. As edições eram caprichadas, superbonitas! Agora é a primeira vez que tenho uma editora importante, com dimensão nacional e até internacional por causa do prêmio que ganhei na FLIP.

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SILÊNCIO LÂMINA E BORDADO DE PIRILAMPOS FORAM LANÇADOS NA CASA DA VILA, EM CARANGOLA. SEMPRE DÁ PREFERÊNCIA A SUA CIDADE PARA FAZER ESSA DIVULGAÇÃO EM PRIMEIRA MÃO?

Acho muito importante dizer isso. Depois que me mudei pro Rio, sempre que vou lançar um livro, lanço primeiro em Carangola. Já lancei no Tênis, no Refazenda e agora tenho feito na Casa da Vila. O Bordado de Pirilampos foi na Casa da Vila e agora vou repetir…

… O SUCESSO, NÉ? PORQUE A LUANA LIMA ME DISSE QUE A FILA ESTAVA ATÉ LÁ NA PEDRO DE OLIVEIRA DA ÚLTIMA VEZ. CARANGOLA SEMPRE TE ABRAÇA, NÉ?

Não por acaso eu gosto de fazer aqui primeiro porque traz um axé, uma energia, uma alegria pros meus livros… Sou sempre abraçada pela cidade, pelos meus amigos, pelas pessoas que sempre me prestigiaram. São pessoas de diversas tribos! Acho isso muito interessante porque são de diferentes idades, estilos, grupos sociais e econômicos, intelectuais… Todos me prestigiam, participam do lançamento, compram os livros, leem, comentam, celebram e desejam meu sucesso! Eu credito boa parte do meu sucesso a essa vibração, a essa cidade que me abraça e celebra a minha arte.

VOCÊ ESBARRA COM A GALERA DE CARANGOLA NA FLIP? AS PESSOAS DAQUI VÃO PARA LÁ TE PRESTIGIAR?

Quando recebi o prêmio, em 2014, teve uma família daqui, de pessoas muito queridas, que estavam na FLIP com os seus filhos. Por acaso, souberam da minha premiação e foram na noite que fui premiada. De todos os prêmios Off Flip que recebi esse foi o mais emocionante porque tive amigos daqui me prestigiando. Foi muito forte, muito emocionante por mais que outras vezes eu tenha tido amigos do Rio me apoiando na festa literária. Na hora que agradeci o prêmio, falei das pessoas de Carangola que estavam presentes e também celebraram comigo. Este ano eles devem ir de novo para me prestigiar com o Silêncio Lâmina.

COM O QUE ESSES AMIGOS E FÃS, QUE VÃO FAZER FILA NA CASA DA VILA PARA VER O LANÇAMENTO DE SILÊNCIO LÂMINA, VÃO SE DELICIAR LENDO?

Silêncio Lâmina é composto de poemas e contos que têm muitos significados, como os anos que fiquei em silêncio para concluir o mestrado e doutorado. Era um silêncio para o público, mas não da minha escrita. Eu estava internamente em profusão. Eu coloco na apresentação do livro que foi impossível escrever teoria sobre literatura sem, paralelamente, escrever literatura também. Como a Clarice Lispector disse, “escrever é uma maldição, mas uma maldição que salva”. Tem um poema meu que eu digo: “poesia é alívio, agulha, morfina/ Poesia é vício de tatuar papiro/ Sem ela, eu piro”. Esses versos são bem a minha tradução porque a poesia me alivia, me anestesia, me deixa numa outra dimensão e me tira da loucura. Em Silêncio Lâmina, o silêncio ecoa em vários textos. É um silêncio cortante! Mas também entre o silêncio das páginas tem assovios e pássaros, tem música, tem dança, tem amor, saudade, protestos, indignações, beleza, dor… Entre essas páginas tem vida.

 

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