Dia dos pais: ele não existe longe de você

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A história do pai que vive na ponte aérea para estar mais próximo do filho

“Infelizmente, não teve como pensar em outra solução uma vez que o relacionamento tinha acabado e nada mais normal do que ela voltar pra cidade onde ela tem familiares. Esse foi o caminho mais certo a seguir, então eu tive que aprender a lidar com essa situação. Minha vontade era, óbvio, de estar mais perto do meu filho. Se fosse uma distância menor, com certeza eu teria a possibilidade de vê-lo mais vezes, de trazê-lo pra cá mais vezes”, Eduardo de Azevedo

Quase dois mil quilômetros separam o turismólogo e paizão da p***a Eduardo de Azevedo, 32, do filho Bernardo, 6. O rompimento da relação com a mãe do Bê resultou em intermináveis meses sem ver o filho, que mora em Bonito, no Mato Grosso do Sul. Essa é a história não só do Dudu, mas de milhares de pais pelo Brasil que vivem essa mesma saudade, essa mesma rotina que cisma em ter um vazio. Apesar da distância, com muita força de vontade (e amor!) os reencontros se tornam os dias mais especiais do ano.

“Ontem liguei pra ele. A primeira coisa que me perguntou foi: ‘falta quantos dias pra você chegar?’ Falei que faltava quatro dias, aí ele ficou bem ansioso! Disse pra ele que quando faltasse um dia iria ligar de novo para falar: ‘oh, papai tá chegando aí amanhã à tarde e vou buscar você na escola’. Aí ele fica muito feliz, muito alegre!”

dia-dos-pais-2018-be-happy-turismo-carangola-noticias-folha-da-terra-pai-e-filho-autora-mayra-russo-foto-arquivo-pessoal

A viagem é longa, mas nem a distância desmotiva esse pai de tentar ver o filho quantas vezes for possível. Claro que os compromissos do dia a dia muitas vezes são obstáculos, mas com jeitinho ele vai encontrando uma brecha para conseguir estar com o filho pelo menos quatro vezes por ano. “Já fiz esse percurso direto de carro, parando só pra abastecer e lanchar. Cheguei a fazer com 22h e meia de viagem daqui até lá. Se a gente ficar parando pra dormir ou ir sem pressa, acaba que a gente passa mais tempo na estrada (indo e voltando) do que lá com o meu filho. Não dá pra ficar fora 10, 15 dias por conta dos meus compromissos de estudo, trabalho, etc. Tenho uma semana pra passar com ele lá. Se eu for dormir na estrada, aí gasto dois dias pra ir e mais dois pra voltar. Lá com ele eu ficaria só três dias e meio”, explica.

Por ser dono da agência de viagens Be Happy Turismo, ele está sempre de olho nas promoções. Se o turismólogo consegue passagem aérea com uma tarifa atrativa, ele não pensa duas vezes! Para o dia dos pais, Dudu vai embarcar no aeroporto do Rio de Janeiro em direção ao filho, lá no Mato Grosso do Sul. “Vou embarcar na quinta-feira (9) cedo e volto na segunda-feira (12). Chego em Campo Grande na quinta, às 11h, alugo um carro e pego 300km de estrada até chegar em Bonito. Vou chegar a tempo de pegá-lo na escola”, se emociona.

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ALÔ, FILHÃO?

É por telefone que Eduardo combina tudo com a sua ex. As férias do Bernardo, por exemplo, já estão marcadas para passar em Carangola, com o pai, em dezembro. “Este ano ele vem pra cá. Vai ser o segundo ano dele aqui no Natal. Quando eu e a mãe dele terminamos combinamos que ele só viajaria sozinho comigo quando fizesse cinco anos de idade, o que ele fez ano passado”. Por ele ainda ser muito novinho para fazer uma viagem tão longa e ficar tanto tempo longe da mãe, a decisão deles foi a mais assertiva pensando no bem-estar do filho.

“A gente teve essa preocupação e esse bom senso com a criança para que ele não estranhasse ou se ele viesse e depois quisesse ir embora. Não é uma distância que dá pra pegar o carro e ir embora na hora que ele quer. É algo que tem que ser mais analisado. Mas graças a Deus, ano passado, ele veio e ficou 20 e poucos dias com a gente aqui sem estranhar nada. Foi muito bom! Fiquei bem surpreso e feliz”

Com a ajuda da tecnologia, diariamente o pai se mostra presente na vida do Bernardo. São ligações, mensagens, chamadas de vídeo… Tudo para acompanhar o filho crescendo mesmo que de longe. “Eu e ele nos comunicamos por celular. Normalmente ligo pra ele na parte da manhã, antes de ir pra escola, para desejar um bom-dia, falando pra ele se comportar na escola, que seja obediente, bom aluno… No fim de semana, faço a chamada de vídeo porque é quando temos mais tempo para conversar. Ele fica mostrando os brinquedos, fazendo careta…”, conta. Apesar de depender muito da disponibilidade da mãe do Bê para conseguir falar com o filho, afinal ela também trabalha e estuda, ele sempre dá um jeito de estar por perto e ser o apoio que o pequeno precisa nessa época da vida. 

É semana do dia dos pais e a Folha da terra já começa com um paizão desse, que fez questão que puxássemos a orelha de todo pai que só é pai na certidão (e olhe lá!). “Vejo muitas mães reclamando de pais que não ajudam, que não são presentes”, argumenta Eduardo. E não é só ele. Convenhamos, todo mundo conhece uma família que a mãe dá conta de tudo sozinha. Então, pais, vamos pagar pensão sim, mas, principalmente, vamos dar amor! Seus filhos são seus maiores frutos, as suas melhores realizações. Lembrem-se sempre daquele ditado: “você colhe aquilo que planta”.

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Fotos: arquivo pessoal

 

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