Carangolense mantém a tradição de São Cosme e Damião

Publicado por

Era pipoca doce, o famoso “cocô de rato”, balas, pirulitos… Tudo isso numa sacolinha regada de doçuras

A tradição está viva! A carangolense Elaine Alves não desiste da fé que sua mãe a deixou de herança. A devoção por São Cosme e Damião foi passada de mãe para filha e, mesmo após o falecimento da mãe, Elaine continua firme e forte espalhando doçura por aí. “Entrego os doces até hoje. Durante toda a minha vida, praticamente, vi minha mãe dando balas na porta de casa e eu sempre saí pra buscar também. Eu amo dia de São Cosme e Damião! Acho que é o dia mais alegre do ano”, revive ela. Embora muitas crianças têm perdido essa cultura, algumas ainda marcam presença na porta dela todos os anos.

“Está ficando cada vez mais raro ver crianças indo pegar doces nas ruas. Até um tempo atrás, no dia de hoje, os meninos nem iam à aula! Podia estar chovendo ou o que fosse que a frente da minha casa estava lotada. As crianças ficavam perguntando que horas eu ia distribuir as balas. Às vezes eu tinha que pôr até uma placa na porta avisando para não me chamarem naquele horário de tanta demanda que havia. Mas agora a procura é bem menor”, Elaine

dia-de-sao-cosme-e-damiao-2018-carangola-noticias-jornal-folha-da-terra-autora-mayra-russo-foto-arquivo-pessoal (2)

Há uns 15 anos era comum ver as crianças andando em grupinhos pelas ruas de Carangola para pegarem doces na redondeza. Os vizinhos já planejavam quais doces típicos iriam colocar nas sacolinhas, as mães levavam os filhos no colégio com uma caixa abarrotada de balas e algumas escolas faziam até eventos neste dia. Hoje, os tempos são outros. Talvez as tecnologias têm ganhado a estima dos pequenos ou os adultos que faziam os pacotinhos simplesmente foram se esvaindo. Alguns morrendo, outros esquecendo a tradição… Quem sabe?

“Hoje tem mais carro na rua, mais perigo, menos gente dando os doces… As pessoas que mantinham a tradição devem ter falecido, não sei. É um costume mais antigo. Acho que só manteve isso quem realmente quis dar continuação ao que os pais faziam. Na minha rua mesmo, as pessoas que sempre entregaram doces foram falecendo e as crianças foram parando de aparecer”, Elaine

Na falta de procura na rua, a carangolense leva direto na creche onde trabalhava. “Ano passado, eu estava trabalhando na creche Menino Jesus, então pra mim foi ótimo porque levei os pacotinhos e entreguei lá. A minha rua estava com muito pouco movimento de criança”, explica. Ainda não sabemos ao certo o porquê das crianças irem parando de sair nas ruas à procura de doces durante a última década, mas é certo que ainda há casas onde essa cultura permanece mais viva do que nunca. E é nelas que a galerinha vai encontrar a felicidade de ser criança.

 

Fotos: arquivo pessoal

 

resumo-autores-mayra-russo-folha-da-terra-carangola

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s