Dia da MPB: o colecionador de histórias

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Apesar de ser carioca ele se considera carangolense e resolveu criar novas trilhas sonoras para a sua vida aqui, na nossa Carangolinha

Meu pai é um contador de histórias nato. É só dar uma companhia e um copo de cerveja que o cara fala pelos cotovelos do seu tempo áureo, vivendo seus 20 e poucos na periferia do Rio de Janeiro. No seu “repertório”, tem roda de samba com Nelson Cavaquinho, bate-papo com Ivete Sangalo em saguão de hotel no nordeste e ele ainda afirma veemente que viu o Zeca Pagodinho “nascer”! Ele estava lá, na famosa Mangueira, quando o tímido e magricelo Jessé abriu a boca e se tornou o Zeca que conhecemos. Tudo isso com a bênção de Beth Carvalho. E, segundo meu pai, ele viu tudo de camarote entre uma dose de cachaça e outra.

Os contos dele vão além, são ricos em detalhes. “Via Nelson Cavaquinho cheio de cachaça fazendo música na Mangueira. Como naquela época não tinha gravador, tinha gente que sentava na roda só pra ganhar dinheiro em cima dele. Uma prova disso são as músicas dele. Pode ver que todas que têm outro compositor a segunda parte é ruim. Nelson Cavaquinho escrevia a primeira parte e depois malandro se aproveitava do sucesso dele escrevendo a segunda”, afirma com o dedo levantado pro ar dizendo: “ele é bambambã!” Não sei se a imaginação fértil é o forte dele ou se Alzheimer é, definitivamente, uma doença que passa longe dessa família.

Cresci ouvindo essas histórias dele dentro do mundo da MPB. Algumas já escutei tantas vezes, que já sei de cor e salteado. Mas ele não é só colecionador de histórias no estilo do filme “Big Fish” (vejam!), meu pai também tem centenas de discos, várias fitas cassete perdidas pela casa, vitrola, dezenas de CDs e hoje é ouvinte assíduo da rádio de MPB todo fim de tarde por um canal da OI. Como quem sai aos seus não degenera, tenho uma coleção de CDs que vai desde Sandy & Junior, passando por Charlie Brown Jr, até Rita Lee. Sem contar os quase vinte livros contando aos detalhes, quase que em segredo, a vida dos artistas da MPB.

É assim, meu pai compartilha as histórias de bambambã dele, eu as coleciono e ainda peço todos os dias para ter a maior herança que ele tem me deixado nesses (quase) 28 anos de vida: o gosto pela MPB. A gente é realmente fã de música! Principalmente, a abençoada por Deus e bonita por natureza. Aqui em casa, pelo menos, ninguém é ruim da cabeça ou doente do pé. Graças a Deus!

 

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